quinta-feira, 14 de março de 2013

Capitulo 2 - Let's have some fun...

Nota: Coloquem a Have Some Fun - Pitbull & The Wanted quando eu falar "play" e parem quando eu disser. ;)


Estava nervosa descendo o elevador. Me olhava no espelho imaginando se a minha roupa estava boa. Estava com um vestido preto de manga comprida que tinha as costas nua.
Como a noite estava fria, joguei um casaco sobre tudo por cima. Não fazia ideia de onde ia. Então me arrumei um pouco mais do que o normal.
Quando cheguei no saguão ele já estava em pé na recepção.
Olhei para o relógio. 8:05. Não estava tão atrasada assim.
Ele me viu e veio em minha direção com aquele sorriso magnifico. Ele podia fazer comercial de pastas de dentes.
-Está aqui a muito tempo? - perguntei.
-Não. Cheguei a dois minutos. Você está linda.
Agradeci meio sem graça.
-Onde vamos?
-Em um restaurante italiano. - ele disse com cara de inocente.
Eu ri e fui me dirigindo a saída.
-Nathan, eu não posso demorar. Você sabe né?
-Eu sei sim. Pode deixar comigo.
Fomos andando em direção a um carro preto que estava em frente ao hotel.
-Hum... A sua carteira. Me lembro que ficava perguntando quando você ia tirar e brincando dizendo que você atropelaria todo mundo. - eu disse rindo.
-É. Escutava essas piadas todos os dias.
-Você não comentou mais nada depois no seu twitter.
Ele sorriu e olhou para baixo.
-Eu disse alguma coisa errada? - perguntei ficando nervosa.
Tinha medo de cometer algum erro. Estava me controlando demais.
-Não. É que eu esqueci que você já tinha sido fan.
-Tem algum problema nisso? - eu quis saber. - Porque se tiver eu não comento.
-Claro que não. Assim eu te impressiono mais.
Eu sorri. Ele tinha razão. A cada palavra que ele dizia eu ficava mais impressionada.
Ele dirigia em silêncio e muito bem, acrescentei em meus pensamentos. Para quebrar o gelo, eu comecei a cantar uma musica da banda dele. A minha favorita.
Ele olhou para mim, sorriu e começou a cantar junto...
Quando ele parou o carro em frente ao restaurante, estávamos cantando a terceira musica.
Descemos do carro rindo, feito bêbados. Algumas pessoas na rua nos olharam, mas nem ligamos.
-Você canta bem. - ele disse.
-Nada comparado a sua voz. - eu disse dando o braço a ele enquanto atravessávamos a rua.
Ele olhou para nossos braços cruzados. Eu reparei isso. Juro que tinha sido espontâneo, mas não o soltei.
Entramos no restaurante. Ele parecia ser de luxo e estava bem cheio.
Fomos falar com a atendente e ele perguntou pela comida reservada.
-Comida reservada? Não seria mesa? - eu perguntei levantando uma sobrancelha.
-Não, ta certo. Não vamos comer aqui.
-Aonde vamos então?
-Você é guia de turismo. Cheia de cultura. Acho que ficar dentro de um restaurante cheio não é muito a sua cara.
Continuei olhando para ele. Não tinha resposta para o que ele tinha acabado de me dizer. Se ele estava querendo me surpreender, ele estava conseguindo.
Um garçom trouxe uma bolsa de papelão com a comida. Ele pagou e saímos do restaurante.
-Vamos comer dentro do carro? - perguntei.
-Não! Que tipo de pessoa você acha que eu sou?
-Uma que está me surpreendendo muito.
Entramos no carro. Ele o ligou e acelerou.
-Sério que estou te surpreendendo? - ele perguntou animado.
-Sim. Parabéns, você está conseguindo. Posso saber onde vamos?
-Fico feliz com isso. - ele deu um sorrisinho. - É um lugar lindo que eu adoro ir. Você pode levar seus turistas lá se quiser. Só que devo dizer. Ele é um pouco longe.
-Quanto tempo?
-Uma hora mais ou menos.
Olhei para o relógio do painel. Eram 8:40. Calculei os horários mentalmente. Pelo menos 11:30 eu teria que estar entrando no hotel.
Ele reparou que encarei o relógio e disse:
-Não se preocupe. Eu calculei o horário.
-Você calculou o horário? - mais uma surpresa.
-Não sou ótimo com cálculos. Mas eu tentei.
-Isso não me animou.
-Me dá seu celular. - ele disse.
-Isso é um assalto ou um sequestro?
-Nenhum dos dois. - ele riu
Hesitei um pouco, por fim abri a bolsa e entreguei a ele meu iPhone.
Ele colocou o celular no bolso e fez alguma coisa que o relógio do painel apagou.
-Pode me explicar agora? - eu perguntei.
-Você não vai ficar olhando para os relógios. Vai simplesmente confiar em mim.
-A que bom. - tentei não parecer impaciente.
Ficamos em silêncio por um tempo.
Eu tentava desvendá-lo a cada momento, analisava. Por mais que ele fosse da banda que eu gostava quando mais nova, ele ainda era um estranho. Ele era bem irritante devo admitir, mas aquele irritante que as pessoas adoram conviver. Aqueles que tentam ao máximo te fazer bem.
A comida estava deixando um cheiro ótimo dentro do carro, o que fez a minha barriga roncar.
-O que você pediu para a janta?
-Lasanha de camarão.
-Agora eu realmente fiquei com fome. - disse sorrindo.
-É a melhor que eu já comi. Você vai gostar... Olha. Estamos chegando.
Começamos a subir uma ladeira em um morro. Para onde ele estava me levando?
-Fecha os olhos. - ele pediu.
-Para que? Ta tudo escuro mesmo.
A unica coisa que iluminava a estrada eram os faróis do carro, via algumas árvores, mas nenhum movimento. Se fosse no Brasil, já teríamos sido assaltados.
-Fecha logo! - ele disse um pouco mais alto.
Fechei e alguns minutos depois senti o carro parar.
-Posso abrir?
-Não. Espera.
Escutei ele bater a porta do carro e me segurei para não abrir os olhos.
Ele abriu a porta do meu lado e me ajudou a descer.
Andei alguns passos segurando firmemente em sua mão, sentia que o chão não era totalmente liso. Finalmente ele disse:
-Pode abrir.
A visão que eu tive foi uma das mais perfeitas de toda a minha vida. Nós estávamos em uma montanha e lá embaixo estava a cidade de Londres. Toda acesa.
Via o Big Ben iluminado bem ao longe. O estádio de Wembley... Tentei localizar o hotel, mas eram muitas luzes.
-Gostou? - ele perguntou.
-É... Maravilhoso.
-Essa é Londres.
-Poderia ficar olhando isso aqui para sempre. Obrigada.
-Fico feliz que você tenha gostado.
Ele abriu aquele sorriso perfeito de novo e eu me peguei olhando para seus lábios.
Sacudi a cabeça de leve e disse:
-Vamos comer aqui?
-Sim.
Ele voltou ao carro e veio com uma grande toalha e a bolsa de papelão.
Ele forrou o capô, deu um pulo e sentou em cima dele organizando a comida. Tentei subir, mas era muito alto para mim e além disso eu estava de salto.
-Quer ajuda para subir? - ele perguntou.
Com certeza ele viu a minha tentativa frustada.
-Você podia ter me dito. Eu iria vir mais aventureira. - respondi sarcasticamente.
-Mas eu só pensei nisso depois. E você está linda desse jeito. Gostei da sua roupa.
Isso era porque ele não tinha visto o vestido. Mas obvio que não ia dizer isso a ele.
Ele desceu do capô do carro e parou na minha frente.
-Que f..?
Antes que eu terminasse de falar ele pegou as minhas duas pernas. Como se segurasse uma criança e me colocou sentada no carro.
O meu vestido foi parar nas minhas costas. Ainda bem que o casaco não subia.
-Você é doido. - eu disse enquanto enfiava a mão por dentro do casaco e endireitava meu vestido.
Ele riu e subiu no carro de novo e depois de alguns minutos começamos a comer.
Ele tinha razão. A lasanha era mesmo deliciosa e ainda tinha uns pãezinhos com uma espécie de geleia que era muito gostoso.
Comemos tudo. Eu estava realmente satisfeita.
Deitei no capo e fiquei olhando o céu. Ele estava lindo.
Nathan foi jogar as embalagens e a bolsa de papel fora e quando voltou, se deitou ao meu lado.
-O céu daqui de cima é mais bonito. - eu disse.
-É mesmo. - ele concordou. - Como você me conheceu?
-Foi numa ponte. Eu estava olhando o lago...
-NÃO!
Nós começamos a rir.
-Eu ouvi a Lightning em um programa de clipe. Não liguei muito. Mas no dia seguinte estava cantando-a no meio da rua... Depois eu ouvi a Glad You Came e me apaixonei e descobri que eram as mesmas pessoas. E por ai foi...
-Entendi. Você é de que lugar do Brasil mesmo?
-Rio de Janeiro.
-A cidade maravilhosa. As meninas de lá são bem bonitas. Aliás, todas as brasileiras são.
-É mesmo? - eu perguntei segurando o riso.
-Mas você é mais linda... É surpreendente.
Eu corei.
-Não sou não. Assim você me deixa sem graça. - disse.
-Mas eu to falando sério.
-Para com isso, Nathan.  - Eu ri e dei uma tapinha em seu braço. Rimos por um tempo.
-Quando você vai voltar em Londres? - ele perguntou.
-Err... Nunca. Não sei.
-Nossa hein!
Nós não parávamos mais de rir nessa hora.
-Eu já disse Nathan. Eu sou guia especializada aqui. Depende de quantas pessoas querem vir para cá.
-Vem morar aqui.
Olhei para ele com uma cara séria. Ele sabia que era meu sonho, havia dito a ele mais cedo.
-Por enquanto eu não posso. Aliás eu teria que construir minha vida. Não tenho ninguém conhecido. Nem casa. Você é meu único amigo aqui.
-Que isso! Você é guia turística aqui e nunca fez um amigo?
-Nathan, eu só saio com os meus turistas. É o meu trabalho.
-Você precisa se divertir no seu trabalho sabia? Eu aprendi isso. Você faz as coisas melhor quando se diverte.
-Eu estou em Londres. Você acha que eu não me divirto?
-Não. Me diz a melhor noite que você teve aqui? - ele fez uma cara de "eu te desafio".
Eu responderia a ele que era essa. Hoje. Mas não ia dar esse gosto. Meu orgulho falou mais alto.
-Eu me pergunto porque chegamos a esse assunto?
-Ta fugindo da pergunta. Mas tudo bem. - ele disse descendo capô.
-Não to não. Aonde você está indo?
(Play)
Ele entrou no carro e ligou o rádio, aumentando o volume. Pra que ele fez aquilo?
-Vem dançar.
-Não. Por que isso agora?
-Porque eu tenho certeza que a sua resposta para minha pergunta era a noite de hoje. Acertei?
-Você é mesmo irritante.
Ele riu e tirou o casaco, começando a dançar. Eu ri bastante.
-Vem dançar logo.
-Não sei dançar. - inventei uma desculpa.
-É só se mexer.
Ele fez um movimento muito engraçado. Parecia mais uma minhoca. Eu não parava de rir.
-É mais divertido te ver dançar.
Ele parou e fez a cara que meu pai fazia quando ia me dar bronca. Vindo até o carro e parando na minha frente. Ele me puxou e quase me derrubou no chão. Dei um gritinho. Ele me colocou em pé na frente dele.
-Você tem que deixar de ser velha e se divertir um pouco. Quantos anos você tem? - ele perguntou.
-25.
-Você parece uma velha de 50 anos, se bobiar, até elas são mais animadas que você.
Eu ia xingá-lo, mas a minha educação de guia me ensinou a contornar essas vontades.
Fui em direção ao carro. Ele estava me provocando. Não ia deixar isso barato.
Aumentei mais o volume da musica. Olhei para ele e comecei a tirar meu casaco. Ele me olhava de cima a baixo.
-Uau. Era isso que você estava escondendo de mim?
Meu vestido preto grudadinho e fino me deixava com frio. Mas se ia impressiona-lo, tinha que ser o serviço completo.
-Você está linda nesse vestido.
Comecei a dançar indo na direção dele.
-A baba ta escorrendo aqui no cantinho, Sykes. - eu disse sorrindo.
-Não quer limpar para mim não?
-Eu tenho cara de babá para ficar limpando baba de criança?
Ele riu. Agora dançamos juntos. Deixei me levar pela musica eletrônica... Fazia tempo que não dançava desse jeito.
Ele me puxou pela cintura, para mais perto dele. Coloquei a mão em seus cabelos. Estávamos nos divertindo mesmo. Quando algum celular fez barulho, mas não era o meu.
(Parar)
-Merda. - ele xingou.
-Que foi? - perguntei assustada.
-São 10:30 já. Se você quer chegar cedo no hotel.
-Nathan, se não fosse meu trabalho, eu não tava nem ligando.
-Eu sei. Podemos ir embora.
Entramos no carro e ele diminuiu o rádio. Porém eu estava rindo.
-Essa é a melhor noite que eu já tive em Londres. - eu disse. - Quero dizer foi a única.
-Eu já sabia disso.
Ele ligou o carro e andou.
-Você não tem mesmo namorada, Nathan? - eu quis saber.
-Não. Já disse que sempre fui sozinho. E se tivesse depois dessa noite, ela teria terminado comigo. Tinha uma mulher me agarrando enquanto dançávamos sabe?
Eu ri.
-Mentira... Jura? Que safada!
Nós rimos.
-E você lá no Brasil?
-Não. Eu... Não me interesso muito por isso.
-Por que você é lésbica?
-Não, seu idiota! - eu disse rindo. -Nunca achei a pessoa certa.
-Sei. É complicado mesmo. E do jeito que você é sabe? Veeelha... Não namoraria com você. - ele olhou para a minha cara esperando uma resposta.
-Também não namoraria você. É muito novo para mim.
-Sou mais velho que você. Tenho 26.
-Mas você é como uma criança irresponsável.
-Se fosse irresponsável não estaria te levando para casa agora.
Ta bom, eu não tive mais resposta para competir com ele. Ficamos em silêncio por alguns minutos, escutando a musica.
-Amanhã a gente podia se ver de novo. - ele disse quebrando o silêncio e pude sentir animação em sua voz.
-Meu voo é logo de manhã. Então teríamos que voltar bem mais cedo. Amanhã é o tipico dia que eu não durmo. Arrumar as minhas malas e deixar tudo pronto para logo de manhã já orientar os turistas. Senão fica gente para trás.
-Já aconteceu com você? Deixar turista para trás?
-Comigo não. Mas com uma amiga minha sim. Não foi nada legal para ela. Por isso sou bem focada no meu trabalho sabe? Não me divirto muito.
-Sei... Mas vai dar tudo certo. Você tem o medo de acontecer e isso te faz redobrar a atenção.
Eu realmente gostava da companhia dele. Me perguntava como não o tinha conhecido antes? Já tinha dois anos que fazia viagens para Londres e muitas vezes passava pelos mesmos lugares.
-Então o mesmo horário amanhã? - ele perguntou.
Olhei para ele. Queria vê-lo amanhã... Mas o meu trabalho...
-Pode ser. Pode pelo menos me dizer que roupa eu devo colocar? Chique ou esportiva?
Ele ficou alguns minutos em silêncio. Será que ele tinha me escutado?
-Oiee? Terra chamando Nathan.
-Me de um tempo para pensar onde te levo amanhã. - ele disse.
Demorou um cinco minutos:
-Já sei. Ótimo lugar.
-Onde? - perguntei curiosa.
-Roupa chique.
Foi somente isso que ele disse.
-Ta okay.
Paramos em frente ao hotel. Olhei para o painel. O relógio estava aceso e mostrava 11:40. Ta, era um bom horário. Tinha valido a pena.
-Obrigada por hoje Nathan. Foi realmente lindo. Desculpa por ter te chamado de... Irresponsável.
-Ta tudo bem. Que bom que você gostou. Eu que agradeço. Você me tirou do tédio hoje.
Nós rimos.
-Então até amanhã. - eu disse saindo do carro.
-Quer que te leve até o elevador? - ele sorriu.
-Não, ta tudo bem. Acho que consigo encontrar o caminho... Boa noite.
Ele riu e respondeu:
-Dorme bem e não vá sonhar comigo.
-A mesma coisa para você.
Ele acelerou o carro e eu entrei no hotel.
Cheguei no quarto e tomei um banho. 00:10 era uma hora ótima para dormir. Fui procurar meu celular na bolsa para por de despertador, mas ele não estava lá. Procurei nos bolsos do casaco e ai eu me lembrei. Meu celular tinha ficado no bolso dele. Meu Deus. Toda a minha agenda tava lá. O que eu ia por para me despertar agora? O que eu ia fazer sem meu celular?
O único jeito era pedir a recepção do hotel né?

Nota: Heey de novo gente... Espero que tenham gostado desse capítulo novo e não esqueçam de dizer o que acharam por aqui ou pelo meu twitter, por favor. Obrigada por lerem. ;)


2 comentários:

  1. QUE LINDO CAROL! Tô amando esse romance <3
    xoxo ray

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  2. Ai Carol, desculpa por não ter comentado no outro capítulo, mas era porque tava pelo mobile... Prometo que daqui pra frente sempre irei comentar, ok? Mesmo não sendo a primeira vez pra mim dessa história perfeita, vou acompanhar direitinho e to amando relembrar dos momentos relendo por aqui. Ta muito boa, parabéns <3

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